Amor platônico

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Acho que toda pessoa já teve um amor platônico. Seja aquele que você chegou a amar ( ou não), ou aquele que você viu por poucos minutos em alguma esquina, ou em alguma rua, ou em algum outro lugar. Eu também tenho, ou talvez tive, um amor platônico. E a história dele, é mais ou menos assim.

Aquele dia, aquele café, e aquela música foram especiais. Foi em uma manhã ,com aquele ventinho gelado que só as manhãs de outono possuem,que eu te conheci. Era uma manhã qualquer de um dia qualquer.Lembro de que quando eu entrei no café da esquina aqui da minha rua não haviam muitas pessoas. Apenas a garçonete, o cara do caixa que sempre acenava para mim e um casal que estavam com os dedos entrelaçados ao som de uma melodia muita calma, que combinava muito bem com a decoração do lugar e com esse casal. Como sempre o cara do caixa acenou e eu retribui enquanto caminhava na direção da minha mesa particular. Bem lá no canto, onde só havia lugar para mim, para meus pensamentos e para a voz da minha cantora favorita.

Em menos de um minuto Dona Maria, a garçonete do lugar, apareceu com seu avental cor de rosa com estampa de florzinha, trazendo meu café e o sanduíche, que ela já sabia que era o meu favorito. Agradeci com um sorriso no rosto e me concentrei no meu lanche. E foi aí que entre uma mordida e uma golada do meu café, que eu escutei a sineta que prendeu a minha atenção e que trouxe o motivo desse texto.

Passou pela porta e retirou o gorro de lã cinza, deixando a mostra os cachinhos parecidos com os do Jesus Luz. Usava uma camisa xadrez que lhe caia muito bem. Caminhou até o balcão ,falou algo com a garçonete e foi se sentar. E justamente na mesa que ficava de frente para minha. Nossa que vergonha.

Dona Maria levou um café e um donuts para a mesa dele. Percebi que ele estava concentrado lendo algo no celular mas quando levantou  o olhar percebi que seus olhos eram azuis. Da cor do céu em um dia ensolarado. Da cor do mar. Mas por um instante seus olhos encontraram os meus. E meu sorriso encontrou o dele.

Me lembro de pensar que poderíamos ser perfeitos um para o outro. Tipo as duas metades da laranja. Tipo chocolate quente com marshmallow. Tipo chuva e arco-íris. Talvez eu estivesse delirando, ou talvez eu estivesse conhecendo o meu primeiro amor platônico. E foi em um um simples piscar de olhos como dizem, que eu percebi que a bandeja já estava vazia e que o meu “amor platônico” já tinha se encaminhado para o caixa.

E foi com um acenar de mão, um sorriso no rosto e uma piscadela de olho que ele se foi. Simplesmente assim. Ajeitou seu gorro de lã que novamente escondeu seus lindos cachinhos e saiu porta a fora. Sem me dizer seu nome. Sem me contar sobre o que gostava. E desde desse dia eu continuo a frequentar o café da minha esquina. Com a esperança de que um dia, por alguma coincidência do destino ou energia dos astros, a gente possa se encontrar novamente.

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