Eu, você e o outono #2

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Não não não e não!

Não era possível aquele cara ali do meu lado era, ou melhor, é o cara do ônibus… do sonho.

Bem se era ele mesmo já não tinha tanta certeza, mas que era completamente igualzinho, isso era verdade. Não podia ser real aquilo. O mesmo cara do meu sonho estava bem ali em pé ao meu lado segurando em uma mão o violão e algo na outra que eu deduzi ser uma moeda. Fiquei estagnada ali encarando bem aquela visão, até que o som de uma risadinha me fez pular de susto.

” Por que você está me encarando heim?”

Dessa vez quem estava olhando dentro da minha cara era ele. Tinha enormes olhos verdes e um sorriso lindo. Senti as pernas bambearem e as bochechas queimando. Por um minuto esqueci como se falava.

“Aah, éé, me desculpa. Mas é que eu tive uma leve sensação de que te conheço. Me desculpe. Acho que acabei me confundindo.”

Ele me encarava com uma curiosidade no olhar.

” Imagina, não tem problema minha querida! Mas já que estamos aqui, prazer meu nome é Henrique. E você como se chama? Vem sempre aqui no lago?”

Refiz o mesmo aceno de mão que ele havia feito, continuando o assunto

” Meu nome é Helena, mas pode me chamar de Hele se preferir. Aham, principalmente no outono que é a minha estação preferida. Olha como é lindo esse lugar nessa estação. Mas eu não me lembro de já ter te visto aqui…”

” Na verdade sou daqui da região mesmo, mas morava um pouco longe do parque. Agora nos mudamos para mais perto e resolvi dar uma passada por aqui.”

” Ah sim, legal!”

Enquanto conversávamos notei que já estava escurecendo. Fazia tempo que havia saído de casa e a essa altura meus pais já começariam a ficar preocupados se eu não voltasse. Ao nosso redor as poucas pessoas que tinham, já estavam indo embora. Henrique não parava de falar, e eu não parava de querer ouvir. Mas tinha que ir, afinal mal o conhecia  e essa coisa de ele ser literalmente o cara dos meus sonhos era muito estranho.

Meus pensamentos forem interrompidos ao escutar meu nome. Ele cutucava meu ombro com o dedo indicador.

” Tá tudo bem? Parece que por um minuto você deu uma viajada aí. Sou eu né? A gente mal se conhece e eu já estou falando pelos cotovelos. Desculpa já vou indo embora…”

” Ei ei ei para com isso seu bobo”. Segurei seu braço demonstrando que fazia questão de que ele ficasse.

” Eu estou adorando a nossa conversa, sério. É que já está ficando tarde né, preciso voltar para casa. Meus pais daqui há pouco vão me ligar se eu não me apressar.”

” Ah já está na minha hora também. Podemos ir caminhando juntos até a saída do parque se você quiser”

“Claro, vamos sim!”

E conversamos, conversamos e conversamos mais e mais. Nunca tinha sentido tanta afinidade de cara com alguém assim. Na verdade tinha até poucos amigos por dificuldade de fazer amizade. Mas com ele era diferente: parecia que já nos conhecíamos há muito tempo.

” Então chegamos. Hora de ir para a casa. Muito obrigada por me acompanhar até aqui. O ponto de ônibus é pertinho, posso ir sozinha.

Ele olhava fixamente em meus olhos.

“Então… é isso né….”

“Ei Helena!” Rapidamente segurou meu braço logo que me virei para ir embora. Senti o corpo inteiro se arrepiar.

“Então amanhã vou tocar em um café na próxima rua após o parque, chama Sol Nascente. Já ouviu falar?”

“Ah já sim, de verdade adoro aquele lugar! De vez em quando gosto de ir lá pra ficar sentada naquelas mesinhas do gramado lendo. Aquele lugar é incrível.”

“É eu também adoro! O dono de lá é meu amigo e me chamou pra uma apresentação lá amanhã. Gostaria que você fosse lá me ver tocar. Não é nada demais, nada com muita produção. É só voz e violão e eu estou começando agora…”

” Ei Henrique, para com isso. Eu vou adorar, claro que irei lá te ver”

Seus olhos brilharam como os de uma criança quando ganha um brinquedo novo quando eu disse que iria vê-lo no café. Aquilo me fez sorrir. E meu sorriso fez ele sorrir mais ainda.

” Nossa que bom então, fico muito feliz. Vou contar os minutos para te ver amanhã…”

Aquele comentário fez as minhas bochechas corarem. Podia sentir que estavam até quentes. Meu coração pulsava no ritmo daquelas baterias de escola de samba. Mas acabei sorrindo, não sabia o que dizer.

” Sei que parece estranho, mas sinto que já te conheço sabia… ” Um silêncio se pôs entre nós. “bem vou indo nessa também. Oh toma cuidado tá. Até amanhã Hele!”

Eu também sentia a mesma coisa e cara como ele era indo. Eu o via se afastando aos poucos de mim carregando seu violão no ombro. Não sei se foi destino, energia do universo ou sonho. Só sei que tudo isso havia mexido comigo de uma forma única. Tinha calafrios no estômago que pareciam milhões de pequenas borboletas.

“Até Henrique.”

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