Quando o coração gritou – e ela ouviu

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Ela era bem baixinha, é verdade. Mas tinha um coração que compensava. Uma força que a tornava suficientemente grande diante das situações mais difíceis.

E a vontade de sonhar: viishi essa então nem era possível quantificar.

Crescera em uma cidade pequena onde todos se conheciam e aos domingos se juntavam no portão do colega da vez para jogar uma partida e outra de baralho. Altas conversas e risadas que só cessavam quando a patroa do anfitrião trazia o lanche da tarde. Sempre pontual e com aquele café fresquinho passado na hora.

Todo esse ritual até era bacana aos seus olhos mas sabia que não poderia ser assim pelo resto da sua vida. Nem sequer conseguirá aprender um dos jogos que seu avô lhe mostrou. Todas as tentativas não obtinham sucesso. Tudo aquilo era legal, mas seu coração gritava freneticamente por algo mais. Seus enorme olhos azuis guardavam o muito que  ela sempre quis ser, mas que ninguém havia parado para olhar.

Através da janela, casas dispostas em ângulos perfeitos abrigavam aqueles que já haviam conquistado o que queriam e que ela lembrava, estarem presentes em sua vida desde quando era um bebê. Mesmo assim sempre se sentira sozinha. Algumas noites até expressava em suas músicas o que seu coração pulsava. Mas quando deitava a cabeça no travesseiro, aquela turbilhão de pensamentos sempre voltava. No fundo ela sabia que um dia, seu coração gritaria tão alto de modo que ela não iria mais conseguir abafar.

E quando chegasse, ela se libertaria para uma jornada de autodescoberta.

O primeiro passo foi mudar a cor do cabelo. O segundo pegar de volta o batom vermelho no fundo da gaveta. Por último focar em si mesma. Partiu levando poucas roupas  na mala e muitos desejos no peito. Sempre quisera transformar o mundo e nada melhor do que começar pelo seu próprio e, mesmo com um friozinho na barriga, sua coragem ainda a protegia.

Sabia que não seria fácil mas que o amor daqueles que se importavam com ela tornaria as coisas possíveis. Ela já não era mais uma simples menina. Tinha sonhos que estavam prestar a se realizarem, descobertas que já haviam começado e uma nova oportunidade para ser o que ela sempre quis. Não se sentia mais tão sozinha pois algo agora a preenchia e tomava de sentimentos bons todo o seu coração.

Ela era agora, autora da própria história.

 

 

 

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